domingo, 6 de janeiro de 2013

A mágoa, o cárcere da alma.

Nós sofremos mais por causa das pessoas do que por causa das circunstâncias. As pessoas nos fazem chorar mais do que as vicissitudes da vida. As pessoas nos decepcionam e nós decepcionamos as pessoas. Os relacionamentos dentro da família, no trabalho e até igreja, algumas vezes, se tornam tensos. Feridas são abertas na alma e mágoas profundas se instalam no coração. Amizades são rompidas, casamentos são abalados, relacionamentos sólidos entram em colapso. Nesse processo, a comunicação é rompida, o silêncio gelado substitui as palavras de amor e a desconstrução da imagem do outro se torna uma verdadeira ação de desmonte. O resultado do adoecimento das relações humanas é a mágoa. Esse sentimento de amargura se instala no solo do coração e lança suas raízes trazendo perturbação para a alma e contaminação para os que vivem ao redor. A mágoa é a ira congelada. A mágoa é o armazenamento do ressentimento. A mágoa é entulhar o coração com o rancor, é alimentar-se do absinto do ranço, é afogar-se no lodo do ódio, é viver prisioneiro na armadilha da vingança. A mágoa é uma prisão. Ela é o cárcere da alma, o calabouço das emoções, a masmorra escura onde seus prisioneiros são atormentados pelos verdugos da consciência. Quem se alimenta da mágoa não tem paz. Não tem liberdade. Não tem alegria. Não conhece o amor. Não tem comunhão com Deus. Não pode adorar a Deus, nem trazer sua oferta ao altar.
Quem retém o perdão não pode orar a Deus nem receber dele o perdão. A mágoa é autodestrutiva. Ferimo-nos a nós mesmos quando nutrimos mágoa por alguém. Guardar mágoa no coração é como beber veneno pensando que o outro é quem vai morrer. Quem guarda mágoa no coração vive amarrado pelas grossas correntes da culpa. Quem vive nessa masmorra adoece emocional, física e espiritualmente. Há muitas pessoas doentes porque se recusaram a perdoar. Na igreja de Corinto havia pessoas fracas, outras doentes e algumas que já estavam mortas em virtude de relacionamentos adoecidos (1Co 11.3). Tiago ordena os crentes a confessarem seus pecados uns aos outros para serem curados (Tg 5.16). Há muitas pessoas vivendo cativas no calabouço do diabo, prisioneiras do ódio, acorrentadas pela mágoa, cuja vida espiritual está arruinada. Gente que precisa ser liberta dessa prisão existencial, desse cativeiro espiritual. O salmista Davi orou pedindo a Deus para tirar a sua alma do cárcere (Sl. 142.7). A chave que abre a porta dessa masmorra é o perdão. O perdão traz cura onde a mágoa gerou doença. O perdão traz reconciliação onde a mágoa gerou afastamento. O perdão traz alegria, onde a mágoa produziu tristeza e dor. O perdão restitui aquilo que a mágoa saqueou. O perdão é a faxina da mente, a assepsia da alma, a limpeza dos porões do coração. Perdoar é zerar a conta. É nunca mais lançar no rosto da pessoa a sua dívida. Perdoar é lembrar sem sentir dor.
Perdoar é não retaliar. É pagar o mal com o bem. É abençoar aqueles que nos amaldiçoaram. É fazer o bem àqueles que nos fizeram o mal. Perdoar é ser um vencedor, pois é vencer o inimigo não com a espada, mas com o amor. Perdoar é sair do cárcere da alma, é ser livre, é viver uma vida maiúscula, superlativa e abundante. Perdoar é viver como Jesus viveu, pois ele não retribuiu o mal com o mal, antes por seus algozes intercedeu. Perdoar é ter o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. Chegou a hora de raiar a liberdade em sua vida. A Palavra de Deus liberta: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8.32). Jesus Cristo liberta: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). É hora de sair do cárcere que prende a sua alma com as grossas algemas da mágoa. É hora de experimentar a liberdade do perdão. É hora de tomar posse da vida abundante que Jesus lhe oferece! Autor: Rev. Hernandes Dias Lopes.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Como ouvir a voz de Deus?

“Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não podemos compreender.” (Jó 37.5) Creio que esta seja uma indagação não só de namorados, mas muitas outras pessoas, porém aqui trataremos daquelas questões típicas que envolvem o universo do relacionamento. Quem já não se fez perguntas do tipo: • Essa é a pessoa certa para mim? • Eu já estou preparado para assumir um compromisso com outra pessoa? • Já está na hora de pensar em casamento? • Estamos pecando no namoro com determinado comportamento? Invariavelmente encontramos nas pessoas que nos aconselham uma resposta padrão do tipo: “Busque ouvir a voz de Deus e a obedeça, não faça nada fora da vontade dele.” Apesar de ser uma resposta bíblica e correta ela é muito vaga e certamente não satisfaz a dúvida da pessoa, na verdade só cria outra: Como Deus fala? Em primeiro lugar você precisa entender que quando várias pessoas estão falando ao mesmo tempo é muito difícil ouvir uma delas. Da mesma forma, no mundo natural e espiritual, várias vozes estão falando. Deus nos fala constantemente, mas como existem outras vozes, não discernimos qual é a dele. Por isso o primeiro passo é calar as outras vozes que estão falando na sua cabeça: a das pessoas a sua volta, a do diabo e a do seu próprio coração. Sua primeira atitude é parar de pedir opinião de qualquer pessoa sobre sua dúvida. Cada um trará seu ponto de vista, sua forma de agir e isso vai te confundir. Outra etapa é orar em pensamento, buscando em Deus a resposta, o inimigo não deve ter acesso às suas dúvidas, pois ele poderá se apropriar dela para te oprimir, confundir ou deixar mais ansioso. Busque, no secreto do seu quarto, oportunidade de orar e falar com Deus. Oração é diálogo, por isso é importante deixar Deus falar também. Não existe uma fórmula engessada sobre como Deus falará para você. Na Bíblia encontramos maneiras variadas pelas quais Deus falou com seus profetas e delegados: Em uma sarça ardente: “E apareceu-lhe o anjo do SENHOR em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.” (Êxodo 3.2) Por meio de uma mula: “Então o SENHOR abriu a boca da jumenta, a qual disse a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes?” (Números 22.28) Na brisa: “E depois do terremoto um fogo; porém também o SENHOR não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada.” (1 Reis 19.12) Pessoalmente: “E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.” (Atos 9.5) Com visões: “Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, Que dizia: “Eu sou o Alfa e o Omega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia.” (Apocalipse 1.10-11) Em sonhos: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.” (Joel 2.28) Quanto mais íntimos estivermos com o Espírito Santo, mais sensível estaremos às imprevisíveis manifestações da voz do Pai. O pecado não só nos separa de Deus, mas também atrapalha nossa comunicação com Ele. Por isso mesmo temos que ter o coração aberto para que Deus se manifeste por meio de sua multiforme graça para falar conosco. Se permita ser surpreendido pela voz de Deus! “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes.” (Jeremias 33.3) fonte: Pr. Richarde. E-mail: richarde.guerra@lagoinha.com.